

O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) abriu uma investigação contra o Consórcio Guaicurus, que opera o transporte coletivo de Campo Grande, por suspeita de prática de locaute. Essa prática ilegal ocorre quando o empregador força ou articula uma paralisação dos funcionários para atender seus próprios interesses.
A investigação foi motivada por uma paralisação de motoristas ocorrida em 22 de outubro. Denúncias reveladas pelo Jornal Midiamax e formalizadas por um vereador apontam que a empresa estaria por trás da greve, com o objetivo de pressionar a prefeitura para obter aumento ou antecipação de subsídios públicos.
Em seu documento, o MPT afirma que os fatos “configuram afronta ao Ordenamento Jurídico” e violam direitos coletivos dos trabalhadores. O Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo (STTCU) também foi incluído na investigação, após relatos de um possível conluio com a empresa.
O MPT deu um prazo de cinco dias para que o sindicato apresente documentos que comprovem como foi convocada a paralisação do dia 22 de outubro.
Depoimentos dos Motoristas – Motoristas e ex-funcionários relataram que a paralisação foi uma “extorsão velada”. Eles afirmam que foram orientados por seus chefes a segurar os ônibus nas garagens para gerar um cenário de caos na cidade e, assim, criar pressão por mais verbas. Em um depoimento, um motorista gravou um superior dizendo: “Não é pra ninguém sair… Isso aí é só pra liberarem uma verba que tá presa”.

Consequências para a Empresa
O procurador do Trabalho Leontino Ferreira de Lima Junior explicou que, se comprovado o locaute, a conduta da empresa é um ilícito civil. Isso pode levar o Consórcio Guaicurus a ter que pagar indenizações por danos individuais e coletivos aos trabalhadores.
Tanto o Consórcio Guaicurus quanto o presidente do STTCU foram procurados para se manifestar, mas não retornaram os contatos até a publicação da reportagem.
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