

O juiz Deyvis Ecco, da 2ª Vara Criminal de Campo Grande, definiu o calendário para a oitiva de 79 testemunhas na ação penal que investiga o desvio de aproximadamente R$ 8 milhões de recursos públicos destinados à Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). O caso é um dos desdobramentos da Operação Turn Off, que revelou um rombo de R$ 68 milhões em contratos da Saúde e Educação do estado.
As audiências estão marcadas para quatro dias consecutivos em abril de 2026, distribuindo a escuta das testemunhas de acusação e defesa.
Os quatro acusados pelo crime de peculato (desvio de dinheiro público por pessoa ligada à administração), que prevê pena de 4 a 12 anos de prisão, são:
Os três primeiros já foram presos duas vezes durante as investigações e atualmente respondem em liberdade, com medidas cautelares.
Como Funcionava a Fraude
As investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) revelaram um esquema de “superfaturamento extremo” na compra de bolsas de colostomia para crianças, com preços até 1.400% acima do valor de mercado, muitas vezes com produtos inadequados para o uso.
O esquema era liderado pelo ex-coordenador Paulo Muleta, que supostamente usava empresas de fachada para desviar e lavar o dinheiro. A ex-supervisora Kellen é acusada de atuar no direcionamento das licitações para favorecer os irmãos Coutinho, que forneciam os produtos superfaturados e negociavam propinas com os servidores.
Tentativa de Obstrução da Justiça – Um dos fatores que levou ao pedido de prisão de Muleta foi a constatação pelo Gaeco de que ele tentou obter cidadania italiana para deixar o país. Além disso, ele teria movimentado R$ 412 mil para contas de terceiros em uma tentativa de ocultar seus bens e burlar o bloqueio de valores determinado pela Justiça.

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