

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) autorizou a oitava prorrogação das investigações de um caso de corrupção no Detran-MS, que começou em 2020. O promotor Fabrício Proença de Azambuja deferiu um novo prazo de 60 dias, atendendo a um pedido da Polícia Civil, sob a justificativa de que ainda há diligências pendentes.
O processo, que ainda não resultou em denúncia, está paralisado principalmente pela impossibilidade de ouvir o depoimento do ex-servidor Gênis Garcia Barbosa, apontado como investigado. Gênis, que atuou no Detran de 2016 a 2020 através de um cargo comissionado, não é localizado pela Justiça.
As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Trânsito (Deletran), apuram um esquema criminoso que fraudava o sistema do Detran para alterar registros de veículos pesados, mudando ilegalmente o número de eixos. A “Operação Miríade”, deflagrada em 2023, expôs a atuação de uma quadrilha que incluía servidores e despachantes, agindo mediante pagamento de propina.
O caso é alvo de críticas por suposta lentidão e blindagem. Reportagens do Jornal Midiamax apontam que as investigações constantemente “não esbarram” nos supostos chefes e padrinhos políticos do esquema. A nomeação de servidores comissionados por políticos é citada como uma das origens do problema, criando uma rede de proteção que dificulta a apuração.
Figuras políticas
Entre os réus já identificados está Joaci, primo do deputado federal Beto Pereira (PSDB). Joaci, ex-prefeito de Rio Negro, foi nomeado gerente do Detran na cidade após seu mandato. As investigações concluíram que ele agia em conjunto com outros servidores e com o despachante David Cloky Hoffaman Chita – que, por sua vez, tentou delatar o deputado Beto Pereira como o suposto chefe do esquema.
A Polícia Civil e o MPMS foram procurados para se manifestar sobre as sucessivas prorrogações e as acusações de blindagem, mas não responderam até a publicação da reportagem.
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