

Um casal de empreiteiros, alvo principal da Operação Águas Turvas (em Bonito) e também investigado na Operação Spotless (em Terenos), movimentou R$ 8,75 milhões em contratos com quatro prefeituras de Mato Grosso do Sul. Genilton da Silva Moreira, atualmente preso, e sua esposa, Nádia Mendonça Lopes, em prisão domiciliar, são acusados de integrar um esquema para fraudar licitações e desviar verbas públicas por meio de pagamento de propinas.
O casal operava por meio de duas empresas abertas em 2017 e 2019, a Base Construtora (de Genilton) e a Lopes & Lopes Construtora e Empreiteira (de Nádia). Ambas eram registradas como Microempresas, categoria cujo faturamento anual é limitado por lei a R$ 360 mil. No entanto, o esquema fez deles “imbatíveis” nas licitações, com um faturamento total milhões de vezes superior ao permitido.

Distribuição dos Contratos Investigados – A maior parte dos valores veio de prefeituras alvo das operações:
Os contratos com as prefeituras de Bonito e Terenos são o foco das investigações. Em Bonito, o prefeito Josmail Rodrigues (PSDB) já exonerou servidores envolvidos e suspendeu os contratos.
As investigações do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) revelaram a relação promíscua entre os empreiteiros e o poder público. Em Bonito, a diretora de licitação Luciane Cintia Pazette (também presa) enviava documentos sigilosos para Genilton pelo WhatsApp.
Em uma das conversas, após ajudar o empreiteiro, Luciane pediu um “brinde legal” para fazer campanha para seu marido, o vereador Pedro Aparecido Rosário, o Pedrinho da Marambaia. O Gecoc concluiu que a servidora atuava para beneficiar Genilton nos processos licitatórios e na execução das obras.
Em entrevista, o vereador disse desconhecer os “brindes” e afirmou confiar na inocência da esposa.
Envolvimento Ativo de Nádia no Esquema – Em Terenos, Nádia não era uma figura secundária. As investigações mostram que ela participava ativamente de reuniões com outros empreiteiros para combinar lances e fraudar licitações. Em um caso, ela foi instruída a apresentar uma proposta 1,5% mais baixa que a de uma empresa concorrente. O relatório do Gaeco também registra que ela tinha acesso a propostas de concorrentes antes do envio oficial, comprovando a manipulação dos certames.
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