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Governo Lula culpa para Tarcísio por derrota na MP dos Impostos

Governo Lula culpa para Tarcísio por derrota na MP dos Impostos

09/10/2025 às 11h25
Por: Redação
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Governistas colocam derrota da MP na conta do Governador de São Paulo.
Governistas colocam derrota da MP na conta do Governador de São Paulo.

Em um capítulo que expõe as fissuras do jogo político brasileiro às vésperas das eleições de 2026, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sofreu um revés significativo na Câmara dos Deputados ao ver a Medida Provisória (MP) 1.303/2025, que previa aumento de impostos para compensar perdas fiscais, ser engavetada e perder validade. Aprovada por 251 votos a 193 em um requerimento de urgência para retirada de pauta, a medida representava uma tentativa desesperada de arrecadar R$ 35 bilhões até 2027, essenciais para equilibrar o Orçamento da União e evitar cortes em programas sociais. Mas, em vez de uma análise técnica, o Planalto optou por uma narrativa de confronto, culpando diretamente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por orquestrar a “sabotagem” que levou à derrota.

A MP em questão surgia como uma resposta ao fracasso anterior do governo em elevar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), derrubado pelo Congresso e questionado no Supremo Tribunal Federal (STF). Para contornar o impasse, o Executivo propôs tributar rendimentos de aplicações financeiras, bets (casas de apostas) e outros setores, com concessões de última hora para poupar o agronegócio e títulos imobiliários. No entanto, líderes do Centrão e da bancada ruralista resistiram, argumentando que a proposta padecia de “problemas de origem” e servia apenas para inflar gastos eleitorais. O resultado? Um buraco fiscal que, segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não justificará mudança na meta fiscal, mas forçará bloqueios em emendas parlamentares e no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026.

Lula, em reunião com ministros e líderes aliados, não poupou críticas ao Legislativo, afirmando que votar contra a MP seria “votar contra o povo brasileiro”, evocando memórias da rejeição à CPMF em seu primeiro mandato. “Pobres dos governadores que pensam que estão votando para prejudicar o presidente Lula. Eles estão prejudicando o povo pobre, que precisa de dinheiro para melhorar a saúde”, disparou o petista, em uma clara alusão a Tarcísio. O líder do PT na Câmara, Zeca Dirceu, foi ainda mais direto: acusou o governador paulista de ter ligado para deputados, em articulação com o presidente do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antonio Rueda, para formar uma frente oposicionista. “O governador Tarcísio de Freitas, em vez de governar o estado de São Paulo, está usando o seu tempo para ficar pressionando deputados”, reclamou Dirceu, rotulando a manobra como uma tentativa de “garrotear” o governo federal.

Para os petistas, não se trata de mera discordância fiscal, mas de uma guerra antecipada pela Presidência. Tarcísio, cotado como o principal nome da oposição para substituir o inelegível Jair Bolsonaro (PL), é visto como o beneficiário imediato do desgaste imposto a Lula. Relator da MP, o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) reforçou essa visão: “É uma disputa eleitoral antecipada, capitaneada por partidos do centrão e pelo governador de São Paulo”. A estratégia oposicionista, na ótica governista, visa inviabilizar o arcabouço fiscal do Planalto, forçando cortes em programas sociais e criando instabilidade em ano eleitoral – o oposto da “liberação geral” de gastos que, ironicamente, Haddad comparou à gestão bolsonarista de 2022.

Tarcísio, por sua vez, negou veementemente qualquer interferência, afirmando que seu foco é a reeleição em São Paulo, não uma aventura nacional. Mas o Planalto não parece disposto a recuar: já estuda alternativas, como novas MPs ou projetos de lei, e aposta na opinião pública para virar o jogo. O revés ocorre ironicamente uma semana após a aprovação da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para R$ 5 mil e a criação de um imposto mínimo sobre super-ricos – bandeiras de campanha de Lula que o PT usará como trunfo eleitoral. No fim das contas, essa derrota não é só sobre R$ 35 bilhões perdidos; é sobre quem ditará o ritmo da corrida ao Planalto, com o governo transformando uma perda legislativa em munição retórica contra seus rivais. Resta saber se o eleitorado comprará a narrativa de “sabotagem” ou verá nisso apenas mais um round do eterno embate entre Executivo e Congresso.

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