

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) manifestou-se a favor de revogar as restrições impostas ao advogado Milton Matheus Paiva Matos, um dos delatores do esquema de corrupção chefiado pelo político Claudinho Serra em Sidrolândia.
Em um parecer enviado à Justiça, a promotora Bianka M. A. Mendes recomenda que Milton seja liberado da obrigação de recolhimento domiciliar noturno e de pernoitar na comarca do interior. O MP argumenta que o delator tem cumprido rigorosamente todas as medidas impostas até o momento e que seu acordo de colaboração premiada, ainda vigente, cria um “vínculo processual reforçado” com a Justiça, garantindo sua cooperação.
Milton Matos é o segundo delator do caso e sua colaboração foi crucial para detalhar crimes envolvendo ex-secretários e vereadores. Em seu pedido à Justiça, ele alega que as restrições atrapalham seu trabalho como advogado, que exige viagens, e reforça seu compromisso com as investigações.
O Papel do Delator no Esquema
Segundo as investigações do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), Milton Paiva articulava, em conjunto com o ex-chefe de compras Tiago Basso, a emissão de notas fiscais falsas para desviar recursos da compra de carne para indígenas. A fraude envolvia a Fundação Municipal Indígena de Sidrolândia.
Provas digitais, como uma planilha e mensagens de áudio, mostram que Milton gerenciava parte dos recursos desviados e orientava sobre como os repasses deveriam ser feitos para beneficiar Claudinho Serra.
Contexto da Operação – A operação que investiga o caso, batizada de “Tromper”, aponta Claudinho Serra como mentor de uma organização criminosa voltada para fraudar licitações e desviar recursos da prefeitura. Ele foi preso em junho, cumpriu 105 dias de prisão e agora responde ao processo com medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica. A investigação já atingiu mais de 20 pessoas, incluindo familiares do político.
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