

Uma operação da Receita Federal, batizada de “Ligação Familiar”, investiga um grupo de empresários de Campo Grande e Ribas do Rio Pardo por crimes de contrabando, lavagem de dinheiro e emissão de notas fiscais frias. O esquema, composto por familiares e amigos, era especializado na venda de celulares de alto valor, importados irregularmente.
A investigação revelou uma grande discrepância nos valores movimentados pelo grupo. Nos últimos cinco anos, o movimento financeiro real foi de aproximadamente R$ 290 milhões. No entanto, para mascarar as atividades ilícitas, as empresas envolvidas emitiram apenas R$ 18 milhões em notas fiscais, caracterizando a emissão de “notas frias”.
De acordo com a Receita, as empresas foram abertas com o objetivo principal de dar uma aparência de legalidade ao comércio de produtos contrabandeados. As notas frias eram usadas especificamente para encobrir o transporte e a comercialização das mercadorias, que eram enviadas por transportadoras e pelos Correios.
Durante as buscas, foram encontrados com os investigados joias e relógios de luxo, indicando enriquecimento ilícito. A Receita aponta fortes indícios de movimentação financeira incompatível, ocultação de renda e patrimônio, e fraudes tributárias.
A operação, que conta com a participação de 14 Auditores-Fiscais, 29 Analistas-Tributários e 29 policiais federais, está cumprindo 10 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul. Os envolvidos poderão responder pelos crimes de descaminho e lavagem de dinheiro.
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