

Um relatório da Polícia Federal (PF) obtido pelo Jornal Midiamax revela que o prefeito de uma cidade do interior de Mato Grosso do Sul mantém uma eficiente rede de espionagem clandestina, composta por policiais civis, militares, servidores públicos e agentes do Detran-MS. O esquema veio à tona durante uma investigação de tráfico de drogas, quando o mandatário pessoalmente abordou e intimidou agentes federais que atuavam de forma velada.
O incidente ocorreu no ano passado, quando policiais federais em um carro descaracterizado realizavam diligências na cidade, incluindo a vigilância da casa de um investigado e a captura de imagens do prédio da prefeitura.
Segundo o relatório, o prefeito, acompanhado por três homens em uma camionete, cercou a viatura da PF e, em tom ameaçador, questionou os agentes sobre as fotografias tiradas da prefeitura. Ele só se identificou como “o prefeito” quando questionado.
No mesmo dia, o mandatário postou um vídeo em suas redes sociais narrando o episódio com um viés político, detalhando como “puxou a placa” do veículo e saiu pessoalmente para procurá-lo pela cidade. Essa atitude, segundo a PF, quase comprometeu toda a operação, que seria deflagrada dias depois.
Rede de Espionagem e Crime de Sigilo
Os investigadores destacam que a consulta à placa do carro descaracterizado da PF constitui crime de violação de sigilo funcional. Esse acesso, provavelmente realizado por um agente público com privilégios em sistemas de segurança, evidencia que o prefeito conta com apoio dentro de órgãos estatais, como a polícia ou o Detran, para manter seu aparato de espionagem.
A PF sugeriu oficiar os órgãos de segurança para identificar quais matrículas consultaram a placa da viatura no dia do incidente.

O relatório expressa estranheza com a reação desproporcional do prefeito. Os policiais argumentam que, se ele temia ser alvo de investigação legítima, não havia risco à sua vida, e se acreditava ser alvo de criminosos, foi irracional abordar o veículo supostamente perigoso sozinho e aparentemente desarmado.
A investigação levanta a hipótese de que a atitude do prefeito pode estar ligada a seu envolvimento com esquemas criminosos. Foi encontrada nas redes sociais uma foto do mandatário recebendo um veículo de alto padrão de um dos investigados por tráfico de drogas alvo da mesma operação. Para a PF, a “preocupação extrema” com quem fotografa a prefeitura e suas relações com investigados levantam fortes suspeitas.
A reportagem questionou a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) sobre investigações contra os possíveis agentes espiões. A assessoria da pasta disse que iria checar o caso, mas não confirmou se há apuração em andamento. O Detran-MS pediu que os questionamentos fossem enviados por e-mail e, até o momento, não se manifestou.
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