

Conhecido nas redes sociais como o prefeito "mais louco do Brasil", Juliano Ferro Barros Donato, de 42 anos, trocou as dancinhas e as bravatas pelo banco dos réus. O influenciador e gestor de Ivinhema-MS será ouvido pela Justiça no próximo 9 de outubro para explicar por que morava em uma casa e rodava com jipes de luxo – incluindo uma Silverado avaliada em mais de meio milhão de reais – que eram de propriedade de Luiz Carlos Honório, um empresário preso pela Polícia Federal por supostas ligações com o narcotráfico.
A imagem de "xerife" que Juliano cultiva nas redes, onde intimida adversários e se gaba de controlar a cidade, foi justamente sua ruína. Em um de seus vídeos, ele chega a exibir duas caminhonetes (a Silverado e uma Dodge Ram) e desafia: "Escolhe, Silverado ou Ram. Pega a tua e só me fala o prazo, pai". A atitude, que ele considerava "brincadeira", tornou-se prova crucial no processo por crime eleitoral, no qual é acusado de ocultar bens de sua declaração à Justiça Eleitoral.
A fachada de "sincerão" desmoronou quando a PF descobriu que os veículos e a casa onde mora estavam no nome do investigado por tráfico. A explicação do prefeito soa como roteiro de filme: alega que comprou a Silverado no "fiado", que deu um cheque de R$ 380 mil (já vencido) e um veículo Troller como parte do pagamento, e que ainda deve cerca de R$ 400 mil. Para a Dodge Ram, a história é similar: disse tê-la comprado a prazo de um cantor de dupla sertaneja.
A teia de negócios com Honório, no entanto, é escancarada no depoimento do próprio empresário à PF. Ele confirmou a venda da casa e a troca da Silverado por um terreno, afirmando que o prefeito sequer havia quitado o veículo. A justificativa de Juliano para não declarar os bens – de que nada estava em seu nome – não convenceu o juiz Rodrigo Barbosa Sanches, que o manteve como réu, rejeitou um pedido de absolvição sumária e marcou a audiência para ouvir testemunhas.
O caso expõe mais do que uma suposta ocultação de bens; revela um modus operandi perigoso. Relatórios da PF indicam que o prefeito alimentava um clima de "cidade vigiada", usando servidores públicos para consultar dados sigilosos de pessoas "estranhas" – uma atitude que, longe de impressionar, atraiu a atenção de investigadores federais e pode resultar em uma pena de até cinco anos de prisão para o prefeito que preferiu pagar de "durão" a agir com a lisura que seu cargo exige.
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