

O Partido dos Trabalhadores (PT) anunciou oficialmente a entrega de todos os cargos que ocupava na gestão do governador Eduardo Riedel. Secretarias, diretorias e funções estratégicas foram colocadas à disposição após reunião realizada nesta terça-feira (26). A decisão será formalizada no próximo sábado (30), em ato político comandado por Vander Loubet, um dos nomes fortes do partido no Estado.
A movimentação tem impacto direto na governabilidade de Riedel. Embora o PT nunca tenha sido protagonista de sua gestão, a presença do partido dava um ar de pluralidade política ao governo. Com a saída, Riedel se vê obrigado a fortalecer alianças com partidos de centro e com o bloco conservador, que hoje são mais fiéis ao Executivo.
Na prática, o PT opta por uma jogada eleitoral calculada. Ao deixar o governo antes do período de maior desgaste administrativo, o partido tenta se desvincular de problemas como atrasos em obras, dificuldades na saúde pública e a crise da segurança, que recentemente registrou aumento da violência urbana. O gesto também mostra que a esquerda busca construir narrativa de “alternativa ética”, quando na verdade usufruiu até o último minuto dos espaços de poder.
O movimento abre ainda espaço para novas articulações políticas: partidos da base de Jair Bolsonaro em MS já sinalizam que podem avançar sobre os cargos deixados pelos petistas. O recado é claro: o governo Riedel precisará escolher entre permanecer vulnerável ou se realinhar a setores conservadores que ainda detêm forte influência sobre a população sul-mato-grossense.
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