

O Diário Oficial do Ministério Público de Mato Grosso do Sul trouxe nesta quarta-feira (27) novos empenhos que somam R$ 157.333,00 em mobiliário e eletrodomésticos. A lista inclui cadeiras executivas de alto padrão, mesas de reunião, aparelhos de ar-condicionado e até cafeteiras elétricas de modelos caros.
O problema não é apenas o valor gasto, mas o momento em que isso ocorre. O Estado enfrenta déficit em áreas essenciais: escolas com salas improvisadas, hospitais superlotados e famílias vivendo sem saneamento básico em bairros periféricos. Em contrapartida, o MPMS — que deveria ser guardião da moralidade administrativa — se comporta como se tivesse imunidade a qualquer forma de austeridade.
Esse não é o primeiro episódio de ostentação. Há pouco mais de dois meses, veio à tona a compra de poltronas de luxo para desembargadores, com valores individuais que chegavam a ultrapassar o salário mínimo. O padrão de gastos levanta suspeitas sobre a ausência de limites no uso do dinheiro público dentro das chamadas “instituições de controle”.
Para juristas independentes, há um paradoxo: enquanto o cidadão comum é esmagado pela carga tributária e por um Estado ineficiente, órgãos que deveriam proteger a sociedade agem como verdadeiras castas intocáveis. O episódio reacende o debate sobre cortes orçamentários e maior fiscalização dos próprios fiscalizadores.
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