

A entrada do governador Eduardo Riedel no PP e a já consolidada filiação da prefeita Adriane Lopes ao mesmo partido criam um novo cenário político em Campo Grande e em todo Mato Grosso do Sul. Trata-se de algo inédito nos últimos anos: chefe do Executivo estadual e municipal compartilhando legenda, recursos e palanque.
Para os governistas, a medida significa alinhamento administrativo e aceleração de obras, com menos atrito institucional. A narrativa oficial é de “harmonia para destravar investimentos”. Entretanto, analistas políticos alertam que a concentração de poder nas mãos de uma única sigla enfraquece o papel fiscalizador da Câmara Municipal e da Assembleia Legislativa. Sem oposição forte, há risco de o PP transformar Campo Grande em laboratório de hegemonia política, no estilo que a esquerda sempre criticou, mas na prática repetiu em redutos como Bahia e Ceará.
Além disso, lideranças locais do próprio partido reconhecem que a dobradinha pode gerar disputas internas. Com Riedel de olho em consolidar sua base estadual e Adriane na tentativa de se reeleger em 2026, o partido terá de administrar egos e interesses diferentes. Para a direita, a questão central é: que a união resulte em gestão eficiente, e não em blindagem política e distribuição de cargos.
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