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Oposição toma o comando da CPMI do INSS e impõe derrota ao governo

Oposição toma o comando da CPMI do INSS e impõe derrota ao governo

21/08/2025 às 16h18
Por: Redação Fonte: Redação Diego Cordeiro
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CPMI do INSS
CPMI do INSS

Em uma das maiores derrotas políticas do governo Lula neste ano, a oposição conseguiu assumir o controle da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, instalada para investigar o escândalo dos descontos ilegais em aposentadorias e pensões. A vitória foi dupla: além de eleger o senador Carlos Viana (Podemos–MG) como presidente, os oposicionistas ainda garantiram a relatoria nas mãos do deputado Alfredo Gaspar (União Brasil–AL), desmanchando a costura política feita pelo Palácio do Planalto com seus aliados no Congresso.


A eleição expôs a fragilidade da articulação governista. O candidato oficial, Omar Aziz (PSD–AM), indicado pelo senador Davi Alcolumbre (União–AP), foi derrotado por 17 votos a 14. Logo em seguida, caiu por terra também a indicação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos–PB), que tentava emplacar Ricardo Ayres (Republicanos–TO) como relator. A oposição agiu rápido, e Carlos Viana nomeou Gaspar, surpreendendo até parlamentares governistas que acreditavam ter a situação sob controle.


Durante a sessão de instalação, o clima foi tenso. Deputados da oposição comemoraram aos gritos de “a roubalheira do PT tá acabando”, em referência direta ao esquema que teria sido alimentado por sindicatos historicamente aliados ao partido. O deputado Zucco (PL–RS), líder da oposição, classificou o resultado como “uma vitória histórica do Parlamento contra o projeto de blindagem do governo”. Para ele, a conquista sinaliza que a comissão não servirá como “palanque governista” nem será abafada para evitar constrangimentos ao Planalto.


Já o vice-líder do governo, Alencar Santana (PT–SP), tentou minimizar os efeitos da derrota, alegando que a base governista ainda teria maioria de membros na CPMI. “O que importa é a verdade, e ela vai aparecer”, declarou. O novo relator, Alfredo Gaspar, rebateu de imediato: “Verdade se faz com independência, não com obediência ao poderoso de plantão”.


O que está em jogo


A CPMI foi criada após a revelação de um escândalo bilionário: entre 2020 e 2025, mais de 3,2 milhões de beneficiários do INSS teriam sofrido descontos indevidos em seus contracheques. O esquema envolvia associações de fachada e entidades sindicais que apareciam como prestadoras de “serviços” ou “benefícios”, mas na prática apenas desviavam recursos de aposentados e pensionistas. Estima-se que os valores ultrapassem R$ 2 bilhões em fraudes.


As investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) apontaram a participação de dirigentes sindicais e associações ligadas a partidos de esquerda. A oposição já sinalizou que vai requerer a quebra de sigilo bancário e fiscal de dirigentes dessas entidades, além de convocar ex-ministros da Previdência e gestores do INSS que estavam no cargo durante a explosão dos descontos.



Impacto político


A derrota na instalação da CPMI desmoraliza a base do governo em dois pontos centrais: mostra fragilidade na articulação política e deixa o Planalto exposto a investigações que podem respingar diretamente em aliados históricos do PT. Davi Alcolumbre e Hugo Motta, que foram peças-chave na tentativa de controlar a comissão, saíram enfraquecidos.


Analistas avaliam que a CPMI pode se tornar um campo de batalha decisivo para 2026. Se a oposição conseguir comprovar o envolvimento de sindicatos e entidades próximas ao PT no esquema, o desgaste para Lula será profundo, atingindo a imagem do governo em um setor sensível: o da proteção aos aposentados.



Próximos passos


A comissão, composta por 32 parlamentares, terá 180 dias para conduzir os trabalhos, podendo ser prorrogada. O primeiro desafio será definir a vice-presidência e aprovar o plano de trabalho. Nos bastidores, fala-se em uma série de convocações já no início de setembro, incluindo gestores do INSS, representantes de sindicatos e até ex-ministros.


A oposição promete endurecer: “Quem mexeu com aposentado vai ter que explicar diante do Brasil”, afirmou Carlos Viana. Já a base do governo se esforça para passar a mensagem de que não há nada a temer, embora a derrota de hoje tenha deixado claro que o Planalto perdeu o controle da narrativa.

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