

Jorge “Tuto” Quiroga, candidato à Presidência da Bolívia no segundo turno, afirmou que o país está exportando mais cocaína via território brasileiro do que gás natural, uma declaração que serve como alarme para o aumento da rota do narcotráfico entre os dois países. A declaração foi feita em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada em 19 de agosto de 2025 .
Em resposta à crescente preocupação, Quiroga propôs firmar um acordo com a Polícia Federal do Brasil, abrindo escritórios da instituição na Bolívia com o objetivo de ampliar o compartilhamento de informações e fortalecer a logística e combate ao tráfico transnacional .
Em sua plataforma, o candidato defende uma política de direção liberal, com foco em:
Reativar a economia boliviana por meio de investimentos e tratados de livre comércio com países asiáticos e europeus.
Reformar relações com o Mercosul, propondo facilidades de circulação e reconhecimento acadêmico — mas rejeitando tarifas protecionistas.
Reduzir dependência das receitas gasíferas, que, segundo ele, foram prejudicadas por falta de investimento em infraestrutura durante o ciclo do MAS (Movimento ao Socialismo) de Evo Morales e Luis Arce.
O primeiro turno das eleições presidenciais bolivianas ocorreu em 17 de agosto de 2025, e o pleito foi para o segundo turno, que está marcado para 19 de outubro de 2025, quando Quiroga enfrentará Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão.
Interpretando o impacto
1. Urgência regional: A afirmação de que o tráfico de cocaína supera as exportações de gás natural — tradicionalmente uma das principais fontes de receita do país — evidencia uma séria fragilidade nas fronteiras e na economia boliviana.
2. Cooperação bilateral inédita: A proposta de integração com a PF brasileira sinaliza um enfoque pragmático na segurança e sugere uma aproximação institucional direta com o Brasil, o que pode reconfigurar relações bilaterais.
3. Mudança de modelo econômico: Quiroga rompe com o modelo de dependência de commodities que marcou os governos do MAS e busca inserir a Bolívia em novos mercados, com foco em diversificação, abertura e modernização.
4. Cenário eleitoral polarizado: A vitória de Quiroga representaria uma guinada à direita depois de mais de duas décadas de governo do MAS, abrindo caminho para uma política externa mais alinhada ao Ocidente e aos mercados globais.
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