

A pavimentação da rodovia MS-345, considerada uma das obras mais caras da história recente do Mato Grosso do Sul, tornou-se motivo de indignação e suspeita de má gestão. O projeto, que consumiu mais de R$ 400 milhões em recursos públicos e foi inaugurado com pompa há menos de um ano, já exibe extensas crateras, trechos em reparo e o descumprimento de parte das obras previstas no contrato, incluindo 45 passagens de fauna que deveriam garantir segurança a motoristas e proteção à vida silvestre da região.
A denúncia foi formalizada hoje pelo deputado estadual Zeca do PT, que apresentou requerimento na Assembleia Legislativa pedindo investigação imediata ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul e ao Tribunal de Contas do Estado. A solicitação foi aprovada por unanimidade no plenário, o que revela que a insatisfação com a execução da obra transcende linhas partidárias.
A rodovia, que liga os municípios de Anastácio e Bonito, foi entregue como símbolo de desenvolvimento e promessa de fortalecimento do turismo regional. No entanto, motoristas relatam que a estrada já se tornou armadilha perigosa, com buracos profundos que aumentam o risco de acidentes. Produtores rurais também reclamam de prejuízos no escoamento da produção devido à deterioração prematura do asfalto.
Além da precariedade visível, a ausência das passagens de fauna previstas em contrato levanta suspeitas de superfaturamento e descumprimento de cláusulas essenciais de segurança ambiental. A medida, segundo especialistas, é indispensável para evitar atropelamentos de animais silvestres, especialmente em uma rota que corta áreas de rica biodiversidade.
O caso traz à tona um debate recorrente sobre a qualidade e a fiscalização de obras públicas em Mato Grosso do Sul. Em um Estado onde os contratos bilionários frequentemente se transformam em escândalos, a MS-345 pode se tornar mais um exemplo de desperdício de recursos e descaso com o contribuinte.
Enquanto a investigação não avança, a população permanece pagando o preço — seja com os impostos, seja com o risco diário de trafegar por uma estrada que deveria ser nova, mas já dá sinais de abandono.
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