

O recente anúncio do governo norte-americano de aplicar uma tarifa de 50% sobre determinados produtos brasileiros — medida que atinge especialmente aço, alumínio e carne bovina — provocou forte reação diplomática de Luiz Inácio Lula da Silva.
Em poucos dias, o presidente acionou conversas diretas com Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia) e Narendra Modi (Índia), buscando acelerar negociações comerciais e ampliar o fluxo de exportações para os países do BRICS.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a China já representa 31,3% de todas as exportações brasileiras em 2024, seguida pelos EUA (11,2%) e Argentina (4,9%). O temor de economistas é que, na tentativa de reduzir a dependência dos Estados Unidos, o Brasil acabe reforçando a dependência de regimes de perfil autoritário e economias controladas pelo Estado.
Críticos apontam que, ao se alinhar estrategicamente com Rússia e China — países envolvidos em denúncias internacionais de espionagem cibernética, censura de imprensa e violações de direitos humanos —, Lula coloca a soberania nacional em rota de vulnerabilidade.
O professor de Relações Internacionais Leonardo Paz, em entrevista ao think tank FGV IESP, destacou que “trocar a dependência de um parceiro democrático por outro que não respeita liberdades individuais é apenas mudar de algemas”.
Enquanto o Planalto defende que a medida é uma “resposta pragmática ao protecionismo norte-americano”, opositores lembram que a aproximação com o bloco também serve aos interesses políticos internos de Lula, reforçando seu discurso antiocidental e favorecendo setores ideologicamente alinhados ao seu governo.
A agenda deve ganhar peso até a COP30, prevista para novembro de 2025 em Belém, onde Lula pretende apresentar um plano ambiental em parceria com China e Índia, países que, ironicamente, estão entre os dez maiores emissores de CO₂ do planeta.
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