

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, voltou aos holofotes ao declarar que o Brasil “disse basta ao golpismo com a Constituição de 1988”, numa fala carregada de simbolismo político.
A declaração ocorre em meio ao agravamento de sua imagem internacional, após sanções impostas pelos Estados Unidos que incluem restrição de entrada no país e congelamento de bens. Washington o acusa de violar direitos fundamentais, prendendo opositores políticos e restringindo a liberdade de expressão sob o pretexto de combater “atos antidemocráticos”.
Moraes tem sido peça central na tensão entre Judiciário e Executivo desde os eventos de 8 de janeiro de 2023, quando determinou prisões preventivas em massa e bloqueio de contas bancárias de suspeitos, medidas que juristas apontam como excessivas e com frágil base legal.
Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Direito Constitucional, mais de 200 ordens judiciais de bloqueio de perfis nas redes sociais foram expedidas pelo gabinete do ministro nos últimos dois anos, muitas delas sem notificação prévia aos envolvidos.
Internamente, Moraes mantém apoio irrestrito da base governista e de setores progressistas, que o veem como “escudo contra o autoritarismo”. Porém, opositores e parte da comunidade jurídica alertam para um modelo de ativismo judicial perigoso, no qual um único magistrado concentra poderes excepcionais sem limites claros.
A crise com os EUA também tem impacto econômico. O Itamaraty confirmou que negociações comerciais e encontros bilaterais foram cancelados após o anúncio das sanções, prejudicando, por exemplo, tratativas para redução de tarifas sobre commodities brasileiras no mercado norte-americano.
O episódio reforça um cenário de polarização extrema, onde a defesa da Constituição é invocada tanto para preservar quanto para restringir direitos — e coloca em debate o verdadeiro significado de “golpismo” na política nacional.
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