

Em resposta ao alarmante crescimento do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens adultos, a Câmara Municipal de Campo Grande aprovou nesta quinta-feira (8) o Projeto de Lei n.º 11.463/24, de autoria do presidente da Casa, vereador Epaminondas Vicente Neto (Papy – PSDB). A medida institui o Programa Municipal de Conscientização e Combate ao Consumo de Cigarro Eletrônico, com foco na prevenção, educação e desmistificação do uso dos chamados “vapers”.
O projeto foi aprovado com maioria absoluta, sem emendas, e prevê a promoção de campanhas educativas, palestras, seminários e debates em escolas públicas e privadas da capital. O público-alvo são principalmente os alunos do Ensino Fundamental II e Ensino Médio, faixa etária onde o uso do cigarro eletrônico mais tem crescido.
> “Essa cultura do ‘vaper’ como algo moderno, inofensivo ou estiloso precisa ser enfrentada com coragem e informação. A juventude de Campo Grande precisa ser alertada sobre os riscos reais desse produto”, declarou o vereador Papy durante a sessão.
Uma ameaça invisível que avança
Apesar de proibida a venda de cigarros eletrônicos no Brasil desde 2009, o mercado paralelo e o apelo visual e aromático dos dispositivos têm incentivado o consumo entre menores de idade. Segundo dados da Fiocruz, 1 em cada 5 adolescentes brasileiros entre 13 e 17 anos já experimentou vapers, e o uso contínuo tem crescido 300% nos últimos 5 anos.
Estudos internacionais, como o publicado pela Johns Hopkins Medicine, apontam que os dispositivos não são menos prejudiciais do que os cigarros tradicionais. Pelo contrário: os líquidos utilizados nos vapers contêm nicotina altamente concentrada, metais pesados e substâncias químicas com potencial cancerígeno, como o formaldeído.
Em Campo Grande, o aumento de atendimentos de adolescentes com sintomas respiratórios ligados ao uso de vapers preocupa médicos da rede pública. O Hospital Regional já notificou casos de crises asmáticas, inflamações pulmonares e dependência precoce entre jovens de 14 a 18 anos.
Prevenção com responsabilidade
O projeto de Papy se destaca por buscar prevenir antes de punir. A proposta não trata da fiscalização comercial ou criminalização do uso, mas aposta na educação como ferramenta de transformação social. A ideia é corrigir a rota antes que a dependência química se instale, algo comum em adolescentes que começam com vaporizadores e evoluem para drogas mais pesadas.
A proposta também prevê parcerias com as Secretarias Municipais de Educação e Saúde, além de instituições religiosas, associações de bairro e entidades sociais.
> “Não se trata de moralismo, mas de responsabilidade com a saúde pública e com o futuro da nossa juventude”, afirmou o vereador em entrevista após a votação.
Trâmite final: decisão nas mãos da prefeita
Agora, o projeto aguarda sanção da prefeita Adriane Lopes (PP). A chefe do Executivo Municipal ainda não se pronunciou oficialmente sobre o tema, mas fontes internas apontam que a proposta tem alta chance de aprovação, dada sua aceitação popular e o viés educativo da medida.
Caso sancionado, o programa deverá ser implementado até o início do ano letivo de 2026, com metas de alcance em pelo menos 70% das escolas municipais no primeiro ano.
Opinião
Enquanto a esquerda defende “liberdades individuais” a qualquer custo, inclusive em nome do consumo de substâncias nocivas, projetos como esse mostram que o verdadeiro conservadorismo preza pela proteção da infância e juventude. É preciso enfrentar o lobby da indústria do vício com políticas públicas que informem, orientem e valorizem a vida desde cedo.
O cigarro eletrônico é a nova isca da degeneração social. E Campo Grande dá um passo firme para não cair nessa armadilha.
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