

A prefeita Adriane Lopes (PP) anunciou, nesta quinta-feira (8), um pacote emergencial de obras de infraestrutura, avaliado em mais de R$ 120 milhões, incluindo recapeamento, drenagem e pequenas intervenções urbanas nos bairros mais populosos da capital. A medida, apresentada como um "programa de retomada do desenvolvimento", levanta suspeitas entre vereadores da oposição e parte da imprensa local por seu nítido caráter eleitoreiro, diante do agravamento da crise fiscal e do processo de impeachment em andamento na Câmara Municipal.
A gestão de Adriane vem sendo alvo de intensas críticas após vir à tona, em julho, um relatório técnico da Controladoria-Geral do Município apontando um rombo de R$ 386 milhões nas contas públicas, com indícios de má gestão, aumento irresponsável de contratos emergenciais e adiantamentos sem lastro orçamentário.
O novo pacote de obras foi divulgado em um evento fechado com secretários e aliados políticos, sem presença da imprensa. No entanto, vazamentos de bastidores indicam que o plano teria sido desenhado às pressas para tentar conter o avanço do processo de impeachment, que já conta com maioria simples entre os vereadores. O presidente reeleito da Câmara, Carlos Augusto Borges (Papy), que até então blindava a prefeita, começou a sinalizar neutralidade, o que enfraquece ainda mais a base do Executivo.
População cobra transparência
Moradores de bairros como Nova Lima, Aero Rancho e Jardim Noroeste afirmam que as promessas de obras são antigas e já foram utilizadas em outros anos eleitorais. “Toda eleição é isso: colocam uma máquina aqui e somem depois do voto”, disse uma moradora do Nova Lima, que pediu anonimato.
Associações de moradores também reclamam da falta de participação popular nas decisões. “Não há consulta pública, não há plano de impacto e nem mesmo cronograma claro. É tudo no improviso, como sempre”, criticou um líder comunitário do Jardim Centenário.
Desespero eleitoral ou plano legítimo?
Apesar do discurso oficial de que as obras fazem parte do “planejamento urbano”, fontes internas da Secretaria de Infraestrutura relatam que o pacote não estava previsto no orçamento e depende de remanejamentos orçamentários ainda não aprovados pela Câmara, o que aumenta a percepção de manobra política.
A oposição promete acionar o Ministério Público Estadual para investigar o possível uso da máquina pública em benefício eleitoral. “Estamos diante de uma prefeita acuada, que tenta se salvar do impeachment distribuindo obras e asfaltos eleitoreiros”, criticou o vereador Marcos Taborda (PL).
Com as eleições municipais se aproximando, o tabuleiro político em Campo Grande está em ebulição. E, com Adriane sob intensa pressão, o destino da sua gestão parece cada vez mais incerto.
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