

O Brasil amanheceu nesta quarta-feira (7) com mais uma cena que escancara o clima de intimidação e censura velada instalado no país. O jornalista que registrou o vídeo de Alexandre de Moraes, ministro do STF, supostamente mostrando o dedo do meio em um aeroporto, foi sumariamente demitido da emissora em que trabalhava após a repercussão do caso.
De acordo com informações apuradas por fontes da imprensa alternativa, a ordem teria partido após intensa pressão política e institucional sobre a empresa jornalística. A identidade do jornalista está sendo preservada por segurança, mas sabe-se que ele trabalhava como colaborador de um veículo com atuação regional, e estava em viagem à Europa no momento do flagrante.
O vídeo, que viralizou nas redes sociais, mostra Alexandre de Moraes claramente incomodado ao perceber que estava sendo filmado. Em seguida, o ministro faz um gesto obsceno com a mão — interpretado como o famoso "dedo do meio" — e aciona a segurança. Pouco depois, o jornalista teve o celular confiscado pela Polícia Federal, em uma ação sem mandado judicial e sem flagrante de crime, o que já havia sido alvo de duras críticas por parte de parlamentares da oposição.
Agora, a demissão do profissional revela o nível de controle e medo que se instalou nos bastidores da comunicação brasileira.
Censura velada: o novo normal da imprensa brasileira
A exoneração do repórter levanta um novo alerta sobre o que vem sendo denunciado há anos por setores da direita: a construção de um sistema de censura indireta, sustentado pelo medo de retaliações políticas e jurídicas.
O caso lembra episódios ocorridos durante ditaduras, em que jornalistas eram silenciados não por ordens oficiais, mas por pressões de bastidores, chantagens institucionais e perseguições pessoais. O silêncio da grande imprensa sobre o episódio só reforça o temor: muitos veículos têm optado por se calar para preservar verbas públicas, concessões e acordos com o Judiciário.
Um repórter que ousou filmar uma autoridade em público, sem insultos ou agressões, foi tratado como um criminoso e punido com o desemprego — enquanto o ministro do Supremo, que fez um gesto indecoroso e incompatível com o cargo, permanece impune, blindado e reverenciado por parte da elite política.
O silêncio cúmplice da velha mídia
Nenhuma emissora tradicional se pronunciou sobre o episódio. Nenhuma nota de repúdio. Nenhuma defesa da liberdade de imprensa. Nenhuma menção ao abuso de poder. A maioria dos grandes jornais ignorou solenemente a demissão do profissional e sequer noticiou o gesto do ministro, como se nada tivesse acontecido.
A omissão é sintomática de um cenário em que a imprensa se tornou cúmplice do autoritarismo, abandonando seu papel fiscalizador em troca de migalhas de poder e prestígio junto ao establishment. Hoje, ser jornalista no Brasil virou um ato de coragem — mas apenas para os que ainda resistem fora do sistema.
Clamor por reação do Congresso
Parlamentares da oposição cobram posicionamento firme do Congresso Nacional, em especial do Senado, que segue inerte diante dos desmandos de Moraes. O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) afirmou em suas redes:
> "Demitir um jornalista por registrar um ato público de um ministro do STF é censura sim! Até quando os senadores vão fingir que não é com eles?"
Já a deputada Carla Zambelli (PL-SP) declarou:
> "Moraes age como imperador. Censura jornalistas, cala cidadãos, prende opositores. Isso não é democracia, é tirania institucionalizada."
A democracia está sob ataque — e o ataque vem de cima
A demissão do jornalista escancara mais uma vez o cenário atual: a liberdade de expressão e de imprensa estão sendo sufocadas por uma elite judicial inquestionável, arrogante e cada vez mais fora do controle democrático. Enquanto isso, o povo assiste calado, amordaçado, com medo — ou indiferente, por desconhecer a gravidade do que está em jogo.
A pergunta que se impõe: quem será o próximo a ser silenciado? Porque hoje foi um jornalista. Amanhã, pode ser qualquer um de nós.
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