

O mercado financeiro já tem um nome de peso para integrar um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL): Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e ex-braço direito do ministro Paulo Guedes na gestão Jair Bolsonaro . A executiva, descrita por banqueiros e investidores como "dama de ferro" e "PG de saias", confirmou que se licenciou por seis meses da Legend Capital para se dedicar à formulação do programa econômico do pré-candidato .
A confirmação ocorreu durante o evento "Veja Fórum Rumos do Brasil", em 15 de junho de 2026, quando Flávio Bolsonaro declarou publicamente que Daniella "é uma pessoa que respeito demais, confio demais e está se dispondo a estar perto de nós na campanha" . O senador destacou que ela o ajudará na parte econômica e, principalmente, na pauta de mobilidade social, além de elogiar sua atuação no comando da Caixa .
Formada em Administração pela PUC-RJ com MBA em Finanças pelo Ibmec, Daniella construiu carreira de 20 anos no mercado financeiro antes de ingressar no governo . Foi sócia de Paulo Guedes na Bozano Investimentos, onde atuou como Diretora de Compliance e Operações Financeiras .
No governo Bolsonaro, começou como chefe da Assessoria Especial de Assuntos Estratégicos do Ministério da Economia em janeiro de 2019, depois assumiu a Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade . Em junho de 2022, foi alçada à presidência da Caixa Econômica Federal para substituir Pedro Guimarães, que deixou o cargo após denúncias de assédio sexual . Permaneceu no banco público até janeiro de 2023, quando foi exonerada pelo presidente Lula .
Atualmente, é chairwoman da Legend Capital, gestora boutique que administra R$ 35 bilhões em patrimônio, onde atua ao lado de Roberto Justus e Sérgio Salles . Para se dedicar à pré-campanha, a empresa emitiu nota afirmando que a licença tem "caráter preventivo" e reflete o compromisso da Legend com as melhores práticas de governança .
O nome de Daniella ganhou força nos círculos financeiros desde o início de 2026, quando colunistas começaram a especular sobre sua eventual participação no governo de Flávio . Profissionais de bancos e corretoras a procuraram nas últimas semanas, movimento que a campanha interpreta como sinal de aceitação do mercado .
Embora não seja amplamente conhecida pelo mercado financeiro, o fato de estar vinculada a Paulo Guedes e a um perfil econômico liberal torna sua recepção positiva . A relação de parceria e confiança entre Guedes e Daniella é tão estreita que colegas a definem como "superego" do ex-ministro . Flávio chegou a consultar Guedes sobre a equipe econômica, mas o ex-ministro disse não ter interesse em voltar a Brasília e incentivou que o senador buscasse nomes de sua antiga equipe .
A experiência de Daniella na Caixa é vista como trunfo. Flávio afirmou que ela mostrou "como é possível com uso de tecnologias, com boa vontade e boas políticas públicas você estender a mão para aquelas pessoas que querem caminhar com as próprias pernas" . A executiva estudou modelos internacionais para focar em empreendedorismo e mobilidade social .
A passagem de Daniella pela Caixa não foi isenta de controvérsias. Às vésperas do primeiro turno das eleições de 2022, o governo Bolsonaro publicou regras para disponibilizar empréstimo consignado para beneficiários do Auxílio Brasil . A Caixa, sob sua presidência, foi o único grande banco a operar a linha de crédito, respondendo por cerca de 80% das concessões . Dados mostraram que 99% da carteira do banco foi disponibilizada entre o primeiro e o segundo turno, o que levou o Ministério Público junto ao TCU a pedir investigação sobre suposto uso eleitoreiro da instituição .
O apelido "dama de ferro", em referência à ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, circula entre os integrantes da antiga equipe de Guedes e resume a percepção do mercado sobre seu perfil firme e alinhado com as reformas liberais . Apesar da resistência inicial de setores mais próximos da família Bolsonaro, que viam em Daniella maior ligação com o mercado financeiro do que com o clã, o jantar promovido por André Esteves, do BTG Pactual, em Portugal, teria ajudado a pavimentar sua entrada na campanha .
A escolha de Daniella Marques vai além da técnica econômica. Flávio busca com ela atrair o eleitorado feminino e sinalizar ao mercado que seu governo terá continuidade das reformas liberais implementadas por Paulo Guedes . O próprio senador já defendeu publicamente um "tesouraço" nos gastos públicos, ecoando a cartilha neoliberal que ganhou força com Javier Milei na Argentina .
Para os críticos, a aproximação da Faria Lima com o projeto de Flávio Bolsonaro repete a estratégia de 2018, quando o mercado financeiro e a mídia liberal escalaram Paulo Guedes para "colocar um cabresto" na candidatura de Jair Bolsonaro . Na visão de analistas, a aposta em Daniella representa a tentativa de garantir que, em um eventual governo, as políticas econômicas sigam o roteiro desejado pelo centro financeiro do país, com ênfase em austeridade, privatizações e redução do Estado .
A executiva, que se diz "indignada" com os gastos do governo atual em ano eleitoral, promete um modelo econômico "mais austero e virtuoso" e vê sua missão como a de "ajudar o Brasil" . Resta saber se, em 2026, a pupila de Guedes conseguirá repetir o feito do mentor e transformar o aval da Faria Lima em votos para o candidato do PL.
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