

A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 18 de junho de 2026, atingiu em cheio o coração político do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Com mandados de busca e apreensão cumpridos em endereços ligados ao senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, a investigação sobre o escândalo do Banco Master deixou de ser um problema restrito à oposição e passou a rondar o Palácio do Planalto.
A apuração, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, revelou suspeitas graves contra o parlamentar, apontado pela PF como "suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas". Em troca de atuação política em prol do grupo financeiro, o senador teria recebido um apartamento de luxo avaliado em R$ 2,45 milhões, repasses milionários a uma empresa ligada à sua família, além de voos em jatinhos particulares e ingressos para shows no exterior. A proximidade da investigação com a cúpula do PT gerou repercussão internacional, com veículos como Reuters e Bloomberg destacando que o escândalo "chegou perto do presidente do Brasil" e "abalou a campanha eleitoral".
A decisão judicial que embasou a operação detalha um esquema de troca de favores que teria se estendido por anos. O ponto central das suspeitas é a compra de um apartamento no empreendimento Poème Horto, em um bairro nobre de Salvador. Segundo a PF, o próprio senador teria escolhido a unidade 1702 e enviado os dados ao banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, dizendo: “a unidade é a 1702 e o preço é de 2,45”. A aquisição foi formalizada pela Epítome S.A., com recursos de fundos ligados ao Master, em uma dinâmica que, para os investigadores, visa ocultar o real beneficiário. Ao ser questionado, Wagner deu uma explicação que gerou ainda mais desconfiança: afirmou ter pedido a Lima que comprasse o imóvel para que ele pudesse, posteriormente, recomprá-lo para ajudar a filha.
Além do imóvel, a PF descobriu que a empresa BN Financeira Ltda., ligada ao núcleo familiar de Wagner e administrada por sua nora, Bonnie Bonilha, recebeu um repasse de R$ 3,5 milhões da PKL One Participações S.A., empresa vinculada a Augusto Lima. O enteado do senador, Eduardo Mendonça Sodré Martins, atual secretário de Meio Ambiente do governo da Bahia, é apontado como o interlocutor que cobrava os pagamentos. Em uma mensagem, ele teria escrito: “Amanhã vence [sic] os boletos e são altos”. Os investigadores acreditam que a empresa foi usada para dar aparência legal a repasses sem prestação de serviços efetivos.
A investigação também mapeou a atuação do senador em pautas de interesse do Banco Master no Congresso. A PF cita seu envolvimento na chamada "Emenda Master", que visava ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R250milparaR 1 milhão, e em outras propostas relacionadas ao crédito consignado, área de forte atuação do grupo financeiro. O texto da emenda, segundo a PF, teria sido "elaborado pela assessoria do Banco Master" e entregue a Wagner, que atuou como um "canal de interlocução" para defendê-la. Em uma conversa, o banqueiro Augusto Lima teria dito a Wagner, referindo-se às tratativas para vender o Master ao BRB: “Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!”
Em contrapartida, o senador e sua família teriam usufruído de uma série de regalias. A PF encontrou indícios de que Wagner utilizava aeronaves custeadas por Lima e pelo Banco Master, além de ter recebido ingressos de camarote para um show em Los Angeles e um quarto do Brasília Palace Hotel, cujas diárias eram pagas pelo Senado em dólares.
Diante das acusações, Jaques Wagner minimizou a operação, lembrando que já foi alvo de investigações no passado e mantendo a postura de que nada foi comprovado. Ele declarou que não é réu, não foi denunciado e que não acredita que o presidente Lula o retire da liderança do governo. No entanto, o impacto político é imediato. A imprensa internacional destacou que o escândalo, que antes era usado pelo governo para desgastar o senador Flávio Bolsonaro, agora atinge o círculo íntimo de Lula, a quatro meses das eleições, complicando a narrativa do Planalto e colocando a "Operação Master" como um dos temas centrais da campanha presidencial de 2026.
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