

A tentativa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, de firmar um acordo de delação premiada com a Justiça chegou ao fim após sucessivas rejeições pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República . O banqueiro, preso desde março por suspeita de liderar um esquema bilionário de fraudes financeiras, apresentou duas propostas de colaboração — ambas consideradas insuficientes pelos investigadores .
O principal motivo da recusa, segundo fontes ouvidas pela imprensa, foi a percepção de que Vorcaro tentava proteger figuras importantes em vez de entregar informações relevantes. A primeira versão da delação, entregue em maio, não incluía suspeitas já investigadas envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), atual presidente do PP e ministro da Casa Civil na gestão de Jair Bolsonaro, que viraram alvo de uma das fases da Operação Compliance Zero . Tampouco mencionou o financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia de Bolsonaro bancada a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) .
Outro ponto que pesou contra o acordo foi a tentativa de Vorcaro de blindar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Informações vazadas de materiais apreendidos indicavam supostos contatos do banqueiro com o magistrado, mas a delação não aprofundava o tema . Investigadores da PF e da PGR avaliaram que o conteúdo "não trazia novidades" em relação ao que já havia sido levantado nas apurações .
O ministro André Mendonça, relator dos inquéritos no STF, também manifestava ceticismo em relação à proposta . Após a rejeição da PF, Vorcaro chegou a apresentar uma segunda versão, mas a PGR também a recusou em 15 de junho . Segundo a Procuradoria, o banqueiro não assumiu a autoria dos crimes e não apresentou elementos novos .
A defesa de Vorcaro ainda pode tentar uma delação unilateral — na qual o acusado colabora sem acordo formalizado, correndo o risco de não ter garantia de benefícios . Enquanto isso, o banqueiro permanece preso em uma sala da Superintendência da PF em Brasília, e as investigações sobre o esquema que inclui corrupção, organização criminosa e uso de milícia privada seguem em curso .
Mín. 16° Máx. 22°





